sábado, 2 de fevereiro de 2008

Maldito carnaval!

Vamos sambar e comemorar as cores de nosso país rico de igualdade e justiça, enquanto políticos e burgueses comemoram, até nos esquecemos do nosso dinheiro roubado(pois um pouco dele ja foi poupado para a grande festa) e agente perdoa. Convidamos então,com quase uma naturalidade e brandura essa brava gente ao nosso bloco. Tão humilde e sem discrêpancias dançamos e lutamos orgulhosamente pela nossa bandeira, a mesma que cuspimos e rezignamos o ano inteiro, porém hoje ela é palco de uma grande e limpa festa , baseada na pureza e na soliedariedade. Enquanto tantos se matam para fazer a maldita ala funcionar, os ricos ostentam fantasias caríssimas vindas da poupa do Brasil, das penas de nossas aves, das pedras preciosas de nossa terra, pois nossa terra é mais garrida e nossos risonhos, lindos campos têm mais flores!

I wish I could ...

Podia-me dizer por favor, qual é o caminho para sair daqui? - Perguntou Alice.
- Isso depende muito do lugar para onde você quer ir. - disse o Gato.
- Não me importa muito onde... - disse Alice.
- Nesse caso não importa por onde você vá. - Disse o Gato.-
...contanto que eu chegue a algum lugar. - acrescentou Alice como explicação.
- É claro que isso acontecerá. - Disse o Gato - desde que você ande durante algum tempo.


(Alice no País das Maravilhas - Lewis Carroll)

Retrogrado desagrado.

Nós estamos no mesmo barco e por mais que eu tente relutar, sei disso. Atravessei os mesmos precípicius e abismos pra chegar onde estou, mas diferente de você, cheguei a lugar algum. Forjo um sorriso aceito para levar a vida sem grandes conivências, fujo de problemas, não por amor a mim, mas por medo de não saber escapar. Enfrento a vida com um estúpido e inerte otimismo, e enxergo em você uma distante e platônica admiração. Por mais que eu corra, não saiu do lugar e desemboco sempre no mesmo estado de mesmice e inabalável tédio. Amo e invejo sua verdade mas não atinjo a minha. Me enconstei tanto na sua alma piedosa, que hoje sinto um pedaço da minha afetado, como se algo sempre me prendesse a você, sinto uma dependência quase que crônica. Visto a carapuça de força, e forjar essa aparente alegria vira uma tortura.Embora eu sofra, não abro mão do meu inatingivel orgulho. Você sabe mais do que ninguém que sempre fui conduzida pela covardia de demonstrar minhas fraquezas e derrotas, mesmo que elas sejam sempre muito explicitas.Porém sou grata ao amor que me devotas, e, apesar de ter me causado tamanha dor, tenho por ti um fiel entusiasmo e compaixão. O que me ressente é saber que tudo o que eu tinha a lhe oferecer era apenas um retrogrado desagrado.