sábado, 2 de fevereiro de 2008

Retrogrado desagrado.

Nós estamos no mesmo barco e por mais que eu tente relutar, sei disso. Atravessei os mesmos precípicius e abismos pra chegar onde estou, mas diferente de você, cheguei a lugar algum. Forjo um sorriso aceito para levar a vida sem grandes conivências, fujo de problemas, não por amor a mim, mas por medo de não saber escapar. Enfrento a vida com um estúpido e inerte otimismo, e enxergo em você uma distante e platônica admiração. Por mais que eu corra, não saiu do lugar e desemboco sempre no mesmo estado de mesmice e inabalável tédio. Amo e invejo sua verdade mas não atinjo a minha. Me enconstei tanto na sua alma piedosa, que hoje sinto um pedaço da minha afetado, como se algo sempre me prendesse a você, sinto uma dependência quase que crônica. Visto a carapuça de força, e forjar essa aparente alegria vira uma tortura.Embora eu sofra, não abro mão do meu inatingivel orgulho. Você sabe mais do que ninguém que sempre fui conduzida pela covardia de demonstrar minhas fraquezas e derrotas, mesmo que elas sejam sempre muito explicitas.Porém sou grata ao amor que me devotas, e, apesar de ter me causado tamanha dor, tenho por ti um fiel entusiasmo e compaixão. O que me ressente é saber que tudo o que eu tinha a lhe oferecer era apenas um retrogrado desagrado.

2 comentários:

Unknown disse...
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