Olhava-os
Todos me irritavam de tal forma
Como se tivessem,
De maneira perversa, outrora,
Me atravessado
E destruído
Algo bom que um dia pudera ter tido.
Notava-os de longe,
Passiva,
Sozinha,
Irrigada do meu próprio vazio.
Odiava-os
Pelo simples fato de serem tão adaptados e,
Conseqüentemente (assim me soavam)
Como possíveis inimigos e traidores,
Uma vez que compactuavam
Com leis e normas
Criadas por aqueles
Que querem nos controlar.
Achava-os estúpidos
Ao ponto de acreditarem no que lhes diziam
E fazer de tais fábulas verdades incontestáveis,
E pior, suas.
Sentia-os sádicos.
Tornei-me um deles.
Tornava-me sádica.
Passei a compactuar com idéias não minhas,
Sorrisos não meus,
E o pior,
E mais dissimulado que pude me encontrar,
Risadas não minhas.
Passei a ser um deles.
Passei a me odiar.