segunda-feira, 18 de julho de 2011

Em vão.

Olhava-os

Todos me irritavam de tal forma

Como se tivessem,

De maneira perversa, outrora,

Me atravessado

E destruído

Algo bom que um dia pudera ter tido.


Notava-os de longe,

Passiva,

Sozinha,

Irrigada do meu próprio vazio.


Odiava-os

Pelo simples fato de serem tão adaptados e,

Conseqüentemente (assim me soavam)

Como possíveis inimigos e traidores,

Uma vez que compactuavam

Com leis e normas

Criadas por aqueles

Que querem nos controlar.


Achava-os estúpidos

Ao ponto de acreditarem no que lhes diziam

E fazer de tais fábulas verdades incontestáveis,

E pior, suas.


Sentia-os sádicos.

Tornei-me um deles.

Tornava-me sádica.

Passei a compactuar com idéias não minhas,

Sorrisos não meus,

E o pior,

E mais dissimulado que pude me encontrar,

Risadas não minhas.


Passei a ser um deles.

Passei a me odiar.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Aos trancos e barrancos...

Aos trancos e barrancos seguimos cegos na ilusão de sobriedade, sob a condição de gratidão e reconhecimento.

Pelos chistes cozinhados em “banho Maria”, reconhecemos nossa fé.

Sob o apelo de prazer, renunciamos os nossos prazeres.

Por baixo dos panos quentes da covardia nos auto-enganamos protegendo-nos assim do pecado.

Entre o eu e você, prefiro a vaidade.

Através do desconhecido, projetamos nossas perversões mascaradas em fantasias.

Sob tais discursos nos damos como satisfeitos e seguimos com medo da culpa, com medo do novo, com medo de nós mesmos, com medo de viver...

Ou melhor, estagnamos.

Antes fosse aos "trancos e barrancos".

Tais modos se tornaram dessa vez;

Inabaláveis.

E assim, acreditamos (dissimulamos)...

Que seguimos pra algum lugar...